sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Saudade de longe de casa

O que adianta viver feliz longe de você se todas as noites vêm me cobrar por isso...
Seria melhor se fosse como imaginou?
Eu contaria os dias de vida que me restam e você permaneceria indiferente ao que sinto.
Você mataria meu espírito e sua vida continuaria limitada.
Talvez nunca saiba o que é felicidade...
Quer companhia e rejeita o calor humano...

A boneca sem vida não existe mais.
Ela se foi como todo mundo vai um dia...
Os filhos crescem, ingratos partem para uma nova vida.
Eu não sou sua companhia!
Também sou mais esperta, não vou ter filhos!
O que vou ganhar me sacrificando pelos outros?
Talvez descobrir que sou mais bonita do que pensei um dia...
Perceber que posso arriscar vez ou outra e ter bons resultados.
Descobrir que não sou puta por beijar alguém e que não mereço a fogueira ao manter um relacionamento que não te agrada.
Descobrir que nem sempre os mais velhos são sábios...
E que parte da vida foi perdida.

Casamento? Não obrigada.
Assinar papéis não significa estabilidade, amor e certeza de felizes para sempre.
Ser feliz da maneira errada. Sua maneira errada. Talvez a minha certa.

Eu não vou fazer filhos, vou fazer sexo...
Sentir prazer e admitir...
Você com certeza fez apenas filhos, não é verdade? A vida inteira apenas isso, não é verdade?

Saudade de longe de casa...

E é nas longas madrugadas obscuras e calmas que descubro o porque de toda essa mutação em minha personalidade.
Nunca fico em casa e quando estou não tenho direito de ir e vir.
Eu te odeio? Não sei, mas esse é o sentimento mais próximo do amor.
É quando você grita no meio da noite que percebo o porque de estar assim.
Não precisava disso, mas assim encontrei espontaneidade...

Não existe mais timidez, tenho auto-estima e roupas legais, amigos que realmente amo, mente aberta...
Crítica e radical, desprezando valores antigos, esses que destruíram o que eu sempre poderia ter sido.
Partes dos valores ensinados matei em mim.

Valores distorcidos?
Eu diria espontâneidade. Sem filtros, mas dane-se.

Sexo é gostoso, todos fazem. Porquê não posso falar a respeito?
A favor do aborto? Não realmente, realmente muito melhor amarrar um filho dentro de um saco plástico e deixar que os lixeiros cuidem do resto.
Vale mesmo a pena destruir a vida de um bastardinho?
Com sorte, ou azar, ele pode crescer...

- Eu te tirei da merda!
Nenhuma alma caridosa que te encontrou no lixo diria isso. Diria?

Dependentes químicos? Má influência, dane-se o fato dele ter um coração e uma vida por trás do sofrimento.
Apenas não servem de companhia.
Ele usa drogas, mas e a bagagem que carrega as costas?
Ele não trabalha, já parou pra pensar em motivos?
Talvez nem todos sejam vagabundos...
Talvez nem todos sejam rebeldes sem causa.
Apenas aprendi a enxergar o que parece errado a sociedade com outros olhos.

Nada justifica certos comportamentos, mas as vezes você pode fazer florescer maus sentimentos, ingratidão, cultivando da maneira errada.
De choques elétricos em seu cachorro, talvez um dia ele arranque sua cabeça com uma única mordida.
Tudo tem seu preço. A aparência de uma vida perfeita mesmo sem a mãe verdadeira também. Pode ser alto e destruir o que você é. Deixar sequelas.

Te amo. Te odeio. Considere-se uma pessoa sortuda.

Saudade de quando fico longe de você.
Saudade de longe de casa.

Alter-ego: Isabel Forti
31/10/2009

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